Tosse, se coça, abaixa a voz na parte que envergonha, aponta. Nada disso entra no prontuário de quem está digitando. O Cliniclaw tira a digitação da consulta — o que ele mostra continua dependendo de você estar olhando.
Você já conhece a cena: o paciente conta a história enquanto você procura o campo certo na tela. Some com o contato visual, some com a pausa em que ele diria a parte importante. No fim do plantão, o prontuário registra o que deu tempo de escrever — não o que aconteceu na sala.
O problema não é a sua digitação. É que documentar e examinar são duas tarefas que competem pela mesma atenção, ao mesmo tempo, e a medicina nunca resolveu isso — só empurrou para o médico.
Digitar não rouba só o olhar. São horas de rosto voltado para um monitor aceso, alternando entre a pessoa e o formulário, e cada troca dessas cobra alguma coisa. A vista cansa primeiro. O raciocínio cansa depois — e cansa calado, sem avisar em que atendimento começou a cair.
O Cliniclaw não apaga a tela do plantão. Ele tira dela a parte que você faz com os dedos enquanto alguém está falando com você. Menos tela por consulta — e o olhar continua sendo seu.
Esta seção costuma faltar nas páginas de produto. Aqui ela vem antes do formulário, de propósito.
O Cliniclaw roda no seu computador, não no servidor de outra empresa. O áudio da consulta é processado localmente e apagado depois da transcrição. Dado que identifica o paciente — nome, CPF, filiação, endereço — não é enviado ao modelo de linguagem: ele recebe o texto clínico e os sinais vitais, e mais nada.
Isso não é uma promessa de política de privacidade. É uma decisão de arquitetura, e é a razão de ele ser mais chato de instalar do que os concorrentes de nuvem.
Escrevi o Cliniclaw para o meu próprio plantão e é lá que ele roda, diariamente, há meses. Mas hoje ele exige que alguém configure a máquina à mão — não existe instalador, não existe conta, não existe suporte.
A lista de espera serve para duas coisas: eu te aviso quando isso mudar, e eu descubro quantos de vocês existem. O segundo motivo é o que determina se vale a pena empacotar. Prefiro dizer isso agora do que vender uma data que eu não tenho.